Penso na ordem dos acontecimentos fundamentais da vida: nascer, crescer, ir, seguir, prosseguir e só depois morrer. Nem sempre a ordem se cumpre. A ordem baralha-se com as obstruções. Às vezes, é assim: nascer, ir, seguir, prosseguir, crescer e depois morrer. Ou então, em certos casos, sucede antes assim: nascer, seguir, seguir, seguir, morrer.
Obstruções, enxotamo-las. Nem sempre o fazemos de viva voz, mas nem só de viva voz é feito o movimento oscilatório da vida. As obstruções não nos servem e no entanto lá estão, enquanto vamos, enquanto seguimos, enquanto prosseguimos, até quando nascemos. Quando morremos, não estão. Pudera.
Possuem, habitualmente, rosto disforme e voz embotada, porém, é possível que tenham também uma certa capacidade de camuflagem e cariz agreste, e nesse caso denominam-se obstruções imprevisíveis (mas não infinitas).
A desobstrução é-nos devida e por ela nos esfalfamos a ensinar, a esclarecer, a explicar, a definir, a delimitar, a desimpedir, a desatravancar, a desopilar.
Desobstruir é respeitar, não é? Desobstruir é respeitar. Com tanto caminho à escolha, por que raio nos cruzamos tantas vezes com obstruções?
Ser obstrução de alguém devia dar banimento. Eduquemos para a desobstrução de caminhos, que é como quem diz, para o respeito mútuo.


