Movimento perpétuo desconstrutivo excêntrico e constante que não se sente, mas que se vê.
O quotidiano em alegre translação, daqui para ali e dali para acolá, da cidade para a aldeia, da floresta para o quarteirão, do primeiro andar para a horta do logradouro, das cigarras para os verdilhões, da terra embebida para a terra ressequida, do suor para a geada, das folhas no chão para as folhas nas árvores.
O quotidiano transportando convicções, transferindo apegos, traduzindo sentires.
Eu translado, tu vais, ela translada, nós vamos, vós transladais e elas vão. Vamos todas. Criaturas.
O quotidiano transladado por via da inércia. O quotidiano vertido em livros. O quotidiano metaforizado em fotografias. O quotidiano transcrito em música recitada por doze cordas num movimento perpétuo construtivo concêntrico e constante que não se sente com ligeireza, mas com sobressalto de ficar sem ar.
O quotidiano, e mais um ano, na alegre descrição da elipse no espaço.


